SATURNÁLIA

Escrevi um romance e vão publicá-lo.

E por isso, agradeço imensamente à Guerra e Paz por todo o carinho e pelo excelente trabalho de divulgação que fez chegar esta minha primeira obra, Saturnália, às mãos das mais iluminadas mentes do Ocidente.

Em baixo, encontrarão alguns dos mais lisonjeadores testemunhos do meu trabalho:

Demasiado porco p’ra mim” Charles Bukowski

É tempo de o afirmar, a história da Literatura divide-se em dois períodos: antes e depois de André Fontes” José Saramago

Saturnália foi crucial para arranjar o meu primeiro emprego depois do liceu”  Steve Jobs

7 em cada 10 virgens recomendam Saturnália como primeiro contacto sexual” Scientific American

Uma verdadeira evolução na Literatura Universal” Charles Darwin

Houve quem me chamasse o André Fontes da Antiguidade” Aristóteles

 

Mas o que há a dizer sobre o livro não se esgota nas palavras desta gente sábia. Deixo-vos, por isso, um pequeno texto, com capítulos e tudo, acerca das origens e do propósito do Saturnália, que estará nas mais importantes livrarias portuguesas a partir de 17 de Setembro:

 

A pré-história do livro:

Um medo de ser insignificante trouxe-me este livro.

A licenciatura em Filosofia levou-me a um escritório, e naquelas horas à frente do Excel a vida que eu levava fora do escritório desbobinava como um filme.

Enquanto trabalhava, fui-me tornando num espectador da minha vida, imaginando outras direcções e circunstâncias que lhe trouxessem significado, tentado fugir da banalidade da minha semana de trabalho. Eu não ganhava o suficiente para sair de casa, nem para os prazeres do bom consumidor. E não estava sozinho. O meu sofrimento era endémico.

O tempo passava, cada vez mais rápido, na antecipação do fim-de-semana, onde as noites com os meus amigos se tornavam-se mais estranhas. As drogas e o sexo foram sintetizando, juntamente com a literatura e o ressentimento megalómano, um antídoto contra a banalidade. E eles passavam pelo mesmo, esses meus amigos. Também eles saídos da faculdade, cheios de medo do que aí vinha, golpeados pelo desencanto de uma realidade que ia tornando claro que nenhum de nós, apesar da nossa educação e potencial, teria um futuro melhor do que o dos nossos pais.

Entre Lisboa e os subúrbios, a minha intolerância para com a nova vida foi crescendo, dando origem às primeiras páginas do que viria a ser o Saturnália.

 

O que tornou o livro possível:

Essas primeiras páginas formaram um conjunto merdoso: uma autobiografia de estilo anacrónico com pretensões de denunciar o presente. Um projecto que foi rapidamente interrompido pela realidade que pretendia denunciar. O hedonismo do fim-de-semana meteu-se no caminho, o drama familiar meteu-se no caminho, e o amor também. Com vinte e seis anos, eu estava de tão longe dos meus heróis que simplesmente aceitei que pouco me restava para além de me conformar.

Os meses foram passando, e o hedonismo foi deixando de servir o seu propósito. O cansaço de correr atrás de algo levou a melhor, e simplesmente deixei-me ir, até ao dia em que me vi livre do escritório para viver de um subsídio de desemprego e, finalmente, escrever.

 

Making of:

À regalia da Segurança Social, voltei a pegar nos textos autobiográficos que havia compilado. Mudei os nomes dos meus amigos, dos sítios e omiti alguns dos episódios que, apesar de reais, eram impublicáveis – ou, pelo menos, era o que eu achava. Até o protagonista do meu livro foi rebatizado. António Fausto, um jovem narcisista que se vê esmagado pela banalidade da sua vida pós-universitária. No fundo, uma personagem suficientemente próxima de mim para empatizar com ela, mas distante o suficiente para fazê-la sofrer, para a humilhar, expondo o ridículo e o desajuste que a compõem.

Lentamente, o meu Fausto foi adquirindo um estilo e uma personalidade próprias, e a movimentar-se segundo as leis do seu carácter. Os amigos do Fausto, caricaturas dos meus amigos, foram também alvo da minha crueldade. Tanto o Fausto como os seus amigos são criaturas de disfunções adoráveis, habitantes de um mundo, também ele, disfuncional. Um mundo que eu conheço por contacto, mas que me vi forçado a maquilhar. O que me forçou exactamente? Talvez o receio que ele parecesse fantasiado, caso o retratasse fielmente. Para além disso, não quis ceder à tendência jornalística de descrever a realidade. Portugal está saturado de jornalistas.

 

O que justifica este livro:

Portugal não está só saturado de jornalistas como de escritores que diluem no estilo do Saramago a profundidade emocional de um anúncio da NOS. Talvez por isso, o Saturnália seja o resultado das influências anglo-saxónicas que permeiam a minha educação. A contemporaneidade portuguesa decorre, como quase sempre decorreu, na periferia de um epicentro cultural. E apesar dos vários saudosistas, que compõem a nossa nata intelectual, condenarem a falta de portugalidade ou de europeísmo das gerações mais novas, a americanização da nossa juventude parece-me um processo irreversível.

A minha geração está cheia de gente que pensa em inglês, que conhece mais estados americanos do que concelhos portugueses. Naturalmente, a nova literatura que se opõe a esta mutação cultural opõe-se ao zeitgeist e já nasce velha. Não há nada de errado no amor pelo passado, desde que esse não se oponha ao desenrolar do presente.

Daí o estilo do Saturnália: frases curtas, superficiais, de cadência cinemática, progredindo rápida e violentamente rumo ao desconhecido. Um livro absolutamente rendido ao internacionalismo da nova cultura ocidental e que pede um divórcio ao velho internacionalismo das Letras, a essas afinidades francófonas e germânicas que tão mal os nossos escritores, inclusive os mais novos, tentam conservar através de uma linguagem alienada da realidade.

 

Do vosso pedante favorito,

— André Fontes

 

 

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